As mudanças no Agro e o Novo Papel dos Agrônomos - O que muda na sua atuação?

Matheus Alberto Cônsoli, em parceria com outros demais autores do Agrodistribuidor, lança uma série de 6 artigos que abordará temas relevantes sobre "As mudanças no Agro e o Novo Papel dos Agrônomos ". Não deixe de acompanhar e se atualizar!

Para um observador que avaliar os processos, desafios e atividades dos agrônomos que atuam na área comercial e de suporte técnico aos produtores nos últimos 20 ou 10 anos, e fizer alguma “especulação” do que se espera desses profissionais, o que ele identificaria de oportunidades e desafios?

Essa é exatamente a pergunta que temos feito e com base na interação com equipes comerciais, indústrias, distribuidores e cooperativas, startups e outras empresas no Brasil e no exterior, a abordamos nessa sequência de artigos alguns desses temas.

Começo a discussão destacando: não sou agrônomo, mas convivendo nesse setor há quase 15 anos, treinando e desenvolvendo equipes comerciais e técnicas, e escutando os produtores e profissionais do setor, me permitiu fazer essa análise. Ademais, terei a colaboração de outros sócios e colegas, agrônomos, na abordagem desse tema aqui no AgroDistribuidor.

1- Um primeiro tema e constatação: o produtor mudou, é preciso conhecer negócios!

Os agrônomos são formados com enfoque técnico prioritariamente. Mas ao “cair” nas áreas de negócios e se desenvolver na carreira, passam cada vez mais a discutir e desenvolver atividades de negócios e menos técnicas. Assim, conhecimento de mercado, economia, marketing, finanças, estratégia e gestão de pessoas, por exemplo passa a fazer parte de conhecimentos e habilidades para esses profissionais.

2- As questões técnicas continuam relevantes, mas a informação está mais disponível!

Como consequência do tema anterior, os aspectos técnicos sozinhos já não diferenciam os profissionais. Naturalmente, o conhecimento técnico é a base desse profissional e é (ou foi!) seu grande diferencial. Entretanto, alguns conhecimentos e recomendações que dependiam exclusivamente do conhecimento dos agrônomos passou a ser mais disponível via materiais, internet, plataformas etc.

3- O trabalho operacional vai competir com as novas tecnologias!

Considerando as novas tecnologias e digitalização da agricultura, uso de plataformas e softwares, redes neurais, algoritmos e sistemas de predição, o trabalho de operação e diagnóstico de campo, por exemplo, realizado por técnicos poderá ser feito por equipamentos, sensores e sistemas. O agrônomo pode competir com essas tecnologias ou as incorporar no seu processo de trabalho.

4- De gerador de dados para analista de dados!

Novamente, como consequência da adoção e disponibilização de tecnologias aos produtores, empresas de insumos, distribuidores etc., o papel de gerar informação e buscar informação no campo tende a ser reduzido, mas demandará desses profissionais maior capacidade de analisar dados, avaliar informações e tomar decisões para recomendações técnicas e de negócios mais assertivas.

5. Atividades discretas e estáticas para processos dinâmicos

O trabalho monótono e repetitivo acabou! Todas essas dinâmicas e mudanças acima listadas fazem do agrônomo um profissional imprescindível, mas atuando de maneira bastante diferente do que foi no passado. Aqui residem as oportunidades e desafios para os agrônomos e é sobre esses temas de detalharemos nessa sequência de artigos e esperamos contribuir para desenvolver ainda mais esses profissionais e colaborar para o futuro do agronegócio.

Matheus Albeto Cônsoli – Especialista em Estratégias de Negócios, Gestão de Cadeias de Suprimentos, Distribuição e Marketing, Vendas e Avaliação de Investimentos. Doutor pela EESC/USP. Mestre em Administração pela FEA/USP. Administrador de Empresas pela FEA-RP/USP. Professor de MBA’s na FUNDACE, FIA, FAAP, PECEGE/ESALQ, entre outros.
Email: consoli@markestrat.com.br

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