As Palavras Mágicas e o Futuro do Negócio de Distribuição – V

Matheus Alberto Cônsoli e Fernando De Cesare Kolya dão continuidade a série de 6 artigos, que abordará o tema "As Palavras Mágicas e o Futuro do Negócio de Distribuição". Nesse quinto artigo, tem como foco o tema sobre “Tecnologia”. Não deixe de acompanhar e se atualizar!

Dando sequência a nossa discussão sobre temas Liderança, gestão, sucessão, tecnologia, eficiência e competitividade, abordamos nesse artigo da série a questão da tecnologia. E começamos com uma indagação - A agricultura digital chegou! Como ficam os Agro Distribuidores?

É importante considerarmos que para absolutamente todas as atividades da cadeia de produção de alimentos existe uma empresa de tecnologia, que usa recursos de geolocalização, sensores, imagens de satélite, radares, softwares, robótica, big data, inteligência artificial, blockchain, internet das coisas etc, e oferecem produtos e serviços até então inexistentes ou acessível somente a grandes empresas e/ou mega produtores. Dizer que já existe uma empresa de tecnologia para todas as atividades parece uma afirmação muito forte mais é a realidade e os números indicam um mercado aquecido.

Estas empresas de tecnologia ligadas à agricultura são denominadas Agritech ou Agtech e no ano de 2016, nos EUA, receberam investimentos de US$6,9 bilhões. As empresas vão desde startups que oferecem serviços de monitoramento de pragas com sensores na planta, solo e drones, análises de eficiência de uso de insumos, até plataformas que permitem que produtores comercializarem direto com o consumidor final.

As indústrias que estiveram nas últimas décadas no pioneirismo da inovação para a agricultura, com investimentos pesados no desenvolvimento de moléculas químicas e sementes, se voltaram para o mundo das Agtechs já há alguns anos, pois perceberam o potencial que estas tecnologias têm em levar mais eficiência para o campo. Um exemplo foi a compra da Climate pela Monsanto em 2013, um negócio de US$930 milhões. No Brasil, a Climate chegou neste ano, com a ferramenta FieldView de monitoramento da lavoura em tempo real que fornece informações precisas sobre produtividade, umidade de colheita, população de sementes e velocidade das operações.

Algumas destas tecnologias podem alterar de maneira significativa a forma com a qual o agricultor gerencia seu negócio, mas ainda assim existem grandes desafios para a sua adoção. Talvez a principal barreira para sua adoção seja a do conhecimento e confiança na tecnologia. Conhece-las e ter certeza de que podem leva-lo fazer o que sempre fez de maneira mais eficiente, economizando recursos ou ainda, modificando sua maneira de trabalhar é um desafio a ser superado. 

Os AgroDistribuidores sempre tiveram um papel importante como difusores de tecnologia no campo e são um dos pontos de contato entre a indústria e o produtor rural. Seu papel sempre foi de levar conhecimento e demonstrar como os insumos podem fazer mais pelo produtor. De certa forma, os AgroDistribuidores reduzem as barreiras à adoção de tecnologia uma vez que têm a confiança do produtor e a proximidade necessária quando se trata de promover mudanças na forma como o produtor conduz seu negócio.

Os AgroDistirbuidores de maior sucesso e com mais reputação nas regiões onde atuam tendem a ser aqueles considerados como pioneiros, que trazem os melhores produtos. No entanto, a era de produtos milagrosos parece ter chego ao fim, e não mais diferencia o negócio. Se o que fará diferença na competitividade do produtor rural não depende somente de bons produtos e técnicas de manejo, mas de outras ferramentas que possam otimizar o uso de insumos e apoia-lo na tomada de decisão de atividades diárias, então, os AgroDistribuidores são obrigados a entender deste negócio – as tecnologias digitais e de agricultura de precisão.

Na prática, a tecnologia mais conhecida e que tem levado a uma agricultura mais eficiente é a adoção de agricultura de precisão (AP), com mapas de fertilidade e aplicação de produtos à taxa variável. Esta é a porta de entrada dos produtores na era da internet das coisas (IoT), da geolocalização e da automação. Uma forma de participar desta mudança no campo é oferecer este serviço de agricultura de precisão, seja via parceiros ou com equipe própria. Esta pode ser a porta de entrada na era da tecnologia.

A agricultura digital deve trazer oportunidades para os AgroDistribuidores, como oferta de serviços de agricultura de precisão, mas também desafiará a forma de trabalho atual. Sensores de temperatura e de umidade associados a modelos de previsão de ocorrência de doenças devem informar o produtor o momento ideal de aplicação de produtos antes mesmo de que a doença seja detectada pelos métodos de observação atuais. Por exemplo, o AgroDetecta da Basf faz isso para as culturas de soja, milho, trigo, algodão e feijão. Com ferramentas assim, as visitas técnicas e de acompanhamento de safra serão menos importantes do que são hoje e esta mudança irá alterar a forma como a assistência técnica é prestada. Desafio para o negócio e para a equipe de campo!

Não é possível prever a velocidade com que estas tecnologias farão parte do dia a dia do produtor, mas como parceiro estratégico de seu negócio, os AgroDistribuidores têm que participar desta (re)evolução. A barreira à adoção de tecnologias por parte dos produtores deve ser a oportunidade para os AgroDistribuidores agregarem mais valor pela prestação de serviços, sendo os provedores e difusores destas tecnologias e sabendo integra-las ao seu modelo de assistência técnica e serviços. 

Se o produtor ainda é reticente a implantar um sistema de previsão de ocorrência de doenças, que tal se o AgroDistribuidor oferecer isso como serviço, buscando fornecedores parceiros? Acreditamos que parte da competitividade futura do negócio de distribuição passará por isso. E você, no que acredita?

(Em breve teremos uma série de artigos voltados às tecnologias na agricultura. Iremos explorar as novas soluções tecnológicas e como os AgroDistribuidores podem aproveitar todo o seu potencial.)

Complementando o artigo, Matheus Alberto Cônsoli gravou um podcast, aprofundando o tema abordado no texto.

Ouça no link abaixo:

As Palavras Mágicas e o Futuro do Negócio de Distribuição – V

Matheus Albeto Cônsoli – Especialista em Estratégias de Negócios, Gestão de Cadeias de Suprimentos, Distribuição e Marketing, Vendas e Avaliação de Investimentos. Doutor pela EESC/USP. Mestre em Administração pela FEA/USP. Administrador de Empresas pela FEA-RP/USP. Professor de MBA’s na FUNDACE, FIA, FAAP, PECEGE/ESALQ, entre outros.
Email: consoli@markestrat.com.br

Fernando De Cesare Kolya
Mestre em administração pela FEA-USP e Engenheiro Agrônomo pela ESALQ-USP. É Associado da Markestrat e professor do MBA em agronegócio da FGV. Contato: fkolya@markestrat.com.br

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